Scrum - Modelo Spotify

A busca por metodologias que permitam agilidade nas companhias e tornem seus processos mais rápidos tem se tornado constante, mediante a concorrência de mercado, a Transformação Digital e a quebra de barreiras possibilitada pela comunicação em um mundo cada vez mais conectado pela rede.

Neste artigo, vou explorar os elementos da estrutura organizacional focada no Modelo Spotify. Como pré-requisito aconselho a leitura do artigo que aborda o Conceito Básico de Scrum, este serve de embasamento para o modelo, a seguir.

Em 2014 Henrik Kniberg, co-autor do Modelo Spotify publicou um vídeo que se tornou referência e viralizou entre os seguidores de metodologias ágeis. Faço a descrição fiel à cultura de engenharia de software que aborda itens como: Squads, Chapters, Guilds e Tribes elaborada por Henrik no vídeo. Ao finalizar a leitura sugiro que assistam o vídeo, incluído neste artigo.

Como surgiu o “modelo Spotify Squads”?

No início, o Spotify era uma empresa pequena, eis que você deve questionar se o assunto é sobre o aplicativo de músicas que cresceu em grande escala nos últimos anos. A resposta é sim, este crescimento pode ser atribuído a forma como a empresa atuava internamente com a utilização do  framework Scrum, com times pequenos e multidisciplinares.

Ao longo do tempo, na medida em que o número de equipes aumentou, ficou evidente que algumas práticas do Scrum não faziam mais tanto sentido. Então, concluíram que o princípio de agilidade era mais importante que método especificamente.

Neste momento, o Spotify renomeou o papel de “Scrum Master” para “Agile Coach”. Isso significa que o Agile Coach não seria um especialista em Scrum, e sim um líder-servidor capaz de estimular e suportar a melhoria contínua. Consequentemente, passaram a chamar as equipes multidisciplinares de “Squads“, ao invés de “Times Scrum”.

Neste modelo de Squads, existem especialistas de diferentes funções que são auto-organizados e considerados pequenos times com 8 ou menos integrantes. A responsabilidade é total sobre o Squad, onde efetuam planejamento, desenho, desenvolvimento, testes e a própria manutenção dos produtos Spotify.

Podemos dizer que as Squads possuem um nível elevado de autonomia, onde existe tomada de decisão em conjunto no próprio Squad, sobre cada elemento a ser desenvolvido ou construído. Isto, é algo que pode parecer impensável na maioria dos modelos corporativos tradicionais que conhecemos.

Mas, é claro que a autonomia das Squads não é ilimitada. As restrições afetam alguns níveis de liberdade relacionados a estratégia do produto, a missão da Squad (todas devem possuir) e objetivos de curto prazo que são negociados a cada 3 meses.

Este formato, permite uma boa autonomia, devida motivação que é essencial para formar pessoas felizes num ambiente corporativo. A estrutura em Squads gera velocidade por evitar processos e solicitações de aprovação, dependência de outras equipes, escalonamentos, entre outros fatores. Segundo Kniberg, autonomia não é o suficiente para construir produtos incríveis. É necessário alinhamento, fator determinante para o sucesso do modelo Spotify. De forma geral, os Squads precisam estar alinhados com a estratégia da companhia e demais objetivos. Isso siginifica que a missão da organização que adota o modelo Spotify é mais importante que a missão individual de qualquer Squad do sistema. O papel da liderança no modelo Spotify está mais direcionado a comunicar qual problema deve ser resolvido e porquê. Já “o como” será resolvido é tarefa dos Squads.

Agora, vamos entender mais sobre Chapters, Guilds e Tribes:

No vídeo citado no início deste artigo, Henrik fala que o Spotify possuía mais de 50 Squads em 4 países diferentes. É fato que existe a necessidade de um time pequeno e multidisciplinar para coordenar os esforços deste número de profissionais. Eis que temos o conceito de Tribes. Uma Tribe, nada mais é do que uma estrutura matricial composta por um conjunto de Squads e Chapters. Conforme descrevi acima, uma Squad é focada em um segmento ou produto. Os Chapters são áreas de competência, como desenvolvimento, equipes operacionais ou Agile coaching. Cada Chapter possui um Chapter Lead, considerado um gerente de frente ou líder que atua no apoio e desenvolvimento de uma determinada competência. Sendo você, um membro desta estrutura, sempre estará dentro de um Chapter e uma Squad pelo menos. Todo Squad deve possuir um Product Owner que possui papel semelhante ao que vimos no Scrum, entre as atividades existe a análise de Backlog, definição de prioridades da Squad, entre outras.

As Tribes possuem um Tribe Lead que é responsável pela orientação geral de prioridades e objetivos de negócio para toda a Tribe.

E por último, temos as Guildes consideradas comunidades de pratica que focam em determinado tema, como por exemplo, qualidade, testes. As Guildes, transitam por diferentes  Tribes, Squads e Chapters com carater voluntario, de acordo, com o interesse das pessoas e  temas.

Podemos concluir que:

O grande objetivo do modelo Spotify é diminuir o acoplamento, mas manter a proximidade e o alinhamento entre os squads.

Alinhamento e autonomia podem ser vistos em diferentes extremos, como:

Pouco alinhamento e pouca autonomia impossibilita a evolução das atividades, sem que haja conhecimento algum sobre o que fazer.

Bastante alinhamento e pouca autonomia gera direcionamento do líder e execução para time.

Bastante alinhamento e bastante autonomia faz com que o líder diga aos times o que é necessário para alcançar o objetivo e os times decidem a melhor maneira para resolver.

Pouco alinhamento e bastante autonomia, evidente que acarreta em falta de alinhamento, indo para direções totalmente opostas.

Acredito que o modelo Spotify é uma grande inspiração e pode ser utilizado como base para moldar as necessidades de cada companhia.

O maior desafio, continua sendo se adaptar ao modelo proposto, até mesmo porque a realidade diária é muito mais complexa.

Conceito básico sobre ScrumSmart City – As Cidades Inteligentes, uma realidade!